Síntese das artes na arquitetura de Oscar Niemeyer

Quando um arquiteto projeta um edifício e olha seus desenhos na prancheta, ele vê a planta projetada como obra já construída. Em transe, se o projeto o apaixona, ele nela penetra curioso, a examinar formas e espaços livres, a considerar os locais onde pensou um painel mural, uma escultura ou um simples desenho em preto e branco (NIEMEYER, 1988, p. A-3).

Síntese das Artes

O tema síntese das artes não é novidade. O relacionamento entre a obra de arte e a arquitetura tem variado de diferentes modos, e oscila de acordo
com as épocas e os lugares. Podemos afirmar que, em toda a história da Humanidade, existem exemplos que idealizam coordenar todas as artes para alcançar um conjunto harmonioso.
No passado a pintura, escultura e arquitetura eram inseparáveis, com seus significados mutuamente enlaçados. Uma unidade de criação entre arquitetos, pintores e escultores, objetivando a construção de algo monumental e simbólico.
Recente é a habitual divisão entre arte e arquitetura, produto da especialização do século XVIII, quando o tradicional método das belas-artes isolou cada arte no seu sistema disciplinar.
A arquitetura não é uma arte independente. Sempre empregou a pintura e a escultura como elementos somados para a construção de um estilo artístico. Na síntese das artes, todas as artes físicas – visuais e arquitetônica – são unidas, visando a conformar um ambiente harmônico para a
sobrevivência humana:

(…) através da arte da arquitetura o ser humano cria um ambiente para si próprio; ele forma o espaço. Através da arte da escultura o ser
humano povoa esse ambiente, esse espaço, com materializações da sua própria percepção de qualidade de ser vivo, qual é sobretudo a
característica da existência potencialmente capaz de agir. Através da arte da pintura a humanidade cria a ilusão de todo tipo concebível de ambiente e todo tipo de efeito em relação a estes ambientes
(DIAMONSTEIN,1981, p. 17).

 

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